quarta-feira, dezembro 19, 2012

Terceira Publicação

Nessas últimas semanas, recebi a feliz notícia que meu primeiro artigo acadêmico, feito para a disciplina de modelos hierárquicos, no Mestrado, foi publicado na revista Planejamento e Políticas Públicas, do IPEA. O artigo foi escrito em co-autoria com a Helena Castanheira, que no momento está fazendo doutorado em demografia nos Estados Unidos.

Esse artigo, por ter circulado em várias revistas e sofrido ataques contribuições de muitos pareceristas, passou por muitas transformações nesses cinco anos. O referencial teórico foi totalmente reescrito. A bibliografia originalmente levantada, sobre gastos públicos sociais, foi substituída por uma de economia da educação. A apresentação e análise dos resultados dos modelos foram igualmente reestruturadas, ficando no formato padrão das revistas de economia. O que se manteve, de fato, foi o banco de dados, cuja construção seria impossível sem o esforço da Helena.

O que me satisfaz nesse artigo é ver como ele me fez aprender a fazer pesquisa acadêmica. A sua primeira versão é praticamente um TCC de graduação, cheia de explicações desencessárias, citações e verborragias procurando sinalizar ao professor que a bibliografia indicada foi lida. A última versão é totalmente diferente.

A versão on-line do trabalho encontra-se neste link.

BNDES News

Fiquei vários meses sem postar aqui no blog. O motivo é que, em setembro, meu departamento mudou de área aqui no banco. Saímos do Gabinete da Presidência e fomos para a Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico.

Depois de mais de um ano como responsável pelos relatórios de conjuntura macroeconômica do BNDES, agora estou envolvido em um projeto de pesquisa. Esse projeto procura comparar a atuação do BNDES com a de outros bancos de desenvolvimento pelo mundo. Para isso, nesses últimos meses, li cerca de 50 artigos acadêmicos sobre os temas de mercado de crédito, assimetrias de informação (com destaque para a vasta obra de Joseph Stiglitz), a institucionalidade dos bancos de desenvolvimento e avaliação econométrica da atuação de bancos públicos.

Confesso que o início foi bem difícil. Em toda minha carreira profissional, atuei nas áreas de economia brasileira, macroeconomia e economia do bem-estar social. Nunca havia estudado a fundo os mercados bancários e financeiros. E, em uma semana após minhas férias, fui comunicado que pesquisar sobre isso seria minha atribuição para os próximos anos...

Mas, nesses últimos meses, consegui aprender bastante. Já estou resenhando a maior parte da bibliografia levantada, enquanto que o resto da equipe está construindo um painel de dados de bancos de desenvolvimento em nível mundial. Os resultados são promissores.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Calor

Ontem foi o dia mais quente no Rio de Janeiro desde que cheguei aqui. A temperatura quase chegou aos 42 graus em pleno inverno.

Seria um pouco menos insuportável e desagradável se minha dermatologista não tivesse marcado um exame de contato na sexta-feira, de modo que estou desde segunda impossibilitado de tomar um banho completo.

terça-feira, agosto 28, 2012

Mapa Mundi Virtual do IBGE

Para quem gosta de observar dados socioeconômicos internacionais e comparar o desempenho dos países, recomendo fortemente dar uma olhada no mapa mundi virtual do IBGE.

Para quem não gosta, ou não se interessa por isso, recomendo do mesmo jeito, pois o site é muito divertido.

quinta-feira, julho 26, 2012

Mudanças no Blog

Hoje, fiz uma coisa no blog que já deveria ter feito há muito tempo. Todos os meus posts sobre o cotidiano do mestrado no Cedeplar-UFMG foram passados para rascunho. Isto é, eles não foram apagados, mas apenas eu terei acesso a eles.

Tomei essa iniciativa quando, depois de muito, muito tempo, resolvi reler o que escrevi em 2006-2007. Ri bastante, mas vi que tudo aquilo já teve o seu tempo. Uma coisa é um estudante de 20 ou 22 anos escrever emotivamente sobre a dificuldade da última prova de econometria, ou sobre como aquele último modelo macroeconômico é complexo, e esses textos serem lido por outros estudantes. Mas quando se é um economista profissional próximo dos 30 anos, e seu blog é procurado por quem quer inofrmações sobre economia, e não sobre vida de estudante, essas histórias podem se tornar inconvenientes.

Aos poucos, vou ir repostando os textos mais técnicos - como resenhas de artigos - daquela época.

quarta-feira, julho 11, 2012

Calvin e a Intelectualidade

Todo acadêmico já deve ter pensado nisso por um dia. Existe um trade-off entre crescimento intelectual e felicidade?


quinta-feira, julho 05, 2012

Gráfico do Dia

Preços das commodities nos mercados internacionais e taxa de crescimento do PIB brasileiro.



Dica do Leonardo Monastério.

terça-feira, julho 03, 2012

Guerra na Blogosfera Econômica - O Desfecho

A guerra na blogosfera econômica esfriou poucos dias depois de iniciar. A tréplica do Reinaldo Azevedo ao professor João Manuel Pinho foi bastante pessoal e ofensiva, e o professor não se dispôs a responder. Mais alguns dias depois, e os últimos leitores anônimos do Reinaldo Azevedo pararam de postar mensagens ignorantes nos blogs de economia.

Mas a parte mais divertida de toda a guerra ficou com o blog econômico-humorístico-irônico Selva Brasilis, que caricaturizou o estilo Reinaldo Azevedo de debater aplicado ao futebol. Nocaute total!

quarta-feira, junho 20, 2012

Guerra na Blogosfera Econômica


Nessa semana, estourou a maior guerra na blogosfera brasileira dsde que eu a acompanho. Tudo começou quando o Reinaldo Azevedo, o mais polêmico colunista da VEJA, resolveu descer a lenha em uma pesquisa de um internacionalmente respeitado professor da PUC-RJ que procurava identificar efeitos do programa Bolsa-Família sobre a redução da criminalidade em São Paulo. Em resumo, o estudo conclui que o programa é responsável por 21% da redução dos índices de criminalidade da cidade. O jornalista, no entanto, não aceita que um estudo desse porte use como amostra apenas a cidade de São Paulo - já que no Nordeste está a maior parte dos beneficiados e lá a violência segue trajetória ascendente na última década - e que não tenha levado em consideração as políticas de segurança pública adotadas na capital paulista no período abordado.

Todavia, em sua crítica, Reinaldo Azevedo deixou claro que não leu o artigo científico em seu formato original, detendo-se nas conclusões apresentadas em uma reportagem de O Globo. Contudo, utilizou (ainda que implicitamente, é bom ressaltar) como estratégica de retórica a chamada "falácia do espantalho", que consiste em distorcer os argumentos do adversário no debate de forma a torná-los muito piores do que realmente são. Assim, o professor João Manuel Pinho de Mello não apenas teria se equivocado na escolha da base de dados e do método estatístico, ou que teria tirado conclusões mais ambiciosas do que as evidências empíricas encontradas permitiam, mas também teria o objetivo de favorecer politicamente o PT nas próximas eleições municipais, dando crédito a uma importante questão política da cidade (a segurança pública) a um programa do governo federal, e não às medidas dos governos estadual e municipal. Além disso, o jornalista utilizou uma linguagem ácida, que se considerada divertida quando direcionada a políticos e militantes, é tida como desrespeitosa na comunidade acadêmica. Resumindo, o problema não era que a pesquisa era falha, mas sim que o pesquisador era mal-intencionado. Tudo isso foi agravado pelos comentários (anônimos na maioria) dos leitores do Reinaldo Azevedo: demonstrando total ignorância sobre pesquisas científicas, passaram a atacar como "braços da agenda petista de dominação nacional" não apenas o estudo em questão e o seu autor, mas também a PUC-RJ como instituição e a própria academia brasileira, sem ressalvas a questões de vertentes teóricas e métodos.

O resultado não podia ser outro: um levante geral na blogosfera econômica em apoio ao professor da PUC-RJ. A única ressalva foi o "O Anônimo", do blog A Mão Visível, que se deteve em problemas técnicos da pesquisa em questãoO mais intereressante é que a maior parte dos "econoblogueiros" indignados com o comportamento do jornalista  não são os petistas, mas sim os liberais e ortodoxos, que não gostaram de ver o seu instrumento de trabalho - a econometria - ser atacado publicamente por um leigo. Além disso, o professor João Manuel Pinho de Mello publicou uma carta de resposta ao jornalista em que esclarece os detalhes de sua pesquisa. No entanto, no início desse documento o autor destaca a sua carreira acadêmica - títulos, pesquisas anteriores, artigos publicados, etc. - como forma de demonstrar sua superioridade intelectual em relação ao oponente, além de provar que não faz proselitismo ideológico petista. Sabe-se que, dentro de um ambiente acadêmico, tudo isso é fonte de respeito e consideração. Contudo, mesmo ponderando-se que o professor escreveu o documento de cabeça quente, para o público em geral, isso pode demonstrar pedância. Ou seja, tentou-se usar pólvora para apagar a fogueira.

O Drunkeynesian - o melhor blog de economia em português na minha opinião - descreve o dia-a-dia das batalhas aqui.

Mais tarde pretendo voltar a essa discussão.