Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Eu, Associate Researcher do IPC-IG-UNDP

Recebi hoje de manhã o e-mail que eu tanto esperava. Fui contratado pelo International Policy Centre for Inclusive Growth, um órgão de pesquisa em economia aplicada do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP), aqui em Brasília.

Nas duas últimas semanas, cursei alguns tutoriais de Stata aplicados à microeconometria e à análise de impacto de políticas públicas, já me preparando para pôr a mão na massa. Espero que essa nova fase da minha vida contribua muito para apesquisa em Economia do Bem-Estar Social e para meu aprendizado pessoal (além do meu currículo Lattes).

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Pérola da Blogosfera Brasileira

Ontem descobri um dos blogs mais engraçados e inteligentes da blogosfera brasileira. O Classe Média Way of Life ironiza os hábitos pós-modernos dos brasileiros das grandes metrópoles.

Apesar de sua crítica ser voltada à classe média, que hoje em dia já representa a maior parte da população urbana brasileira em termos de consumo, acho que vale para a população como um todo. Os mais pobres, se tivessem mais dinheiro, e os ricos, se tivessem menos, se comportariam da mesma maneira.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Novo Golpe pela Internet

Leiam só o post que eu recebi hoje na minha conta do Panoramio:

Norbert Manjarrez, 1 hour ago, said:

So beautiful shot...it captures a feeling of adventure and mistery. I see that you are a perfect photographer. I need your advice. I put the self-extracting archive of pics of my young beautiful wife on my homepage. Please see these photos. Decently I will put these pics on this site?

Greetings from U.S.A.

O "Please See This Photos" abriria um link para um programa executável. Só por isso já permite desconfiar de vírus. Além disso, ele fala da "beautiful wife" dele em um site voltado a fotos paisagísticas e turísticas. Mas o que resolveu a questão foi a foto da minha conta em que ele comentou:



Alguém pode ver algum clima de mistério e de aventura no Instituto de Economia da Unicamp? Ou será que esse cara é um economista ortodoxo ironizando?

Domingo, Novembro 01, 2009

Primeiras Impressões sobre Brasília

Já faz mais de uma semana desde que me mudei para Brasília, e minhas primeiras impressões sobre a cidade são bastante distintas das que tive quando me mudei para Belo Horizonte, em 2007. Em primeiro lugar, ao contrário da capital mineira, particularmente de sua região central, que é uma metrópole de prédios altos, cinzentos e colados uns aos outros de modo que a vista do céu é prejudicada, Brasília é muito mais espaçosa, e de prédios baixos, a não ser os de órgãos do governo.

No Plano Piloto (Asas Sul e Norte), reside a classe média brasiliense (os mais abastados moram em condomínios e mansões atrás dos lagos e junto às embaixadas). Existem cerca de 16 quadras de extensão por 7 de largura em cada asa, e cada quadra é classificada de acordo com sua funcionalidade, tal como "Comércio Local", "Setor Residencial", "Setor Hospitalar", "Setor Hoteleiro", etc. Os endereços são dados pelo número da quadra que se localiza o imóvel, junto com o "bloco" que indica a posição do imóvel na quadra. No início, é estranho ler esses endereços, mas depois de se aprender a sua lógica, torna-se fácil de se orientar pela cidade. O quitinete que estou dividindo (Morato II) fica na quadra 502, que é um setor comercial.

As quadras, em geral, são muito grandes, com muito espaço entre os prédios (os "blocos"), de modo que existem calçadas entre eles para a circulação de pedestres. A circulação de carros é mais complexa: cada quadra tem um acesso próprio, com um estacionamento de rua (poucos prédios têm garagem subterrânea) em cada uma. Os prédios são bastante curiosos: originalmente eram todos bastante semelhantes, mas depois de tantas reformas ao longo dos 50 anos da capital federal, eles adquiriram design próprio, cada um. As reformas dos prédios funcionais, adaptando-os às demandas tecnológicas e arquitetônicas ao longo das décadas, seguem um processo peculiar: alguma construtora compra um prédio antigo, quebra-o quase por inteiro, deixando apenas seu "esqueleto", e constrói todo o resto de novo, deixando como se fosse um prédio novo. Na quadra atrás do quitinete, quase todos os prédios estão passando por esse tipo de reforma. Além disso, mesmo com toda a área verde presente na cidade, e que eu sentia tanta falta quando morava em BH, confesso que não acho os prédios de Brasília bonitos, a não ser os mais recentes, ou os melhor reformados. Ainda não me acostumei com a estética dos prédios funcionais originais, todos iguais e com aspecto de pequenos colégios. Mesmo os prédios públicos mais antigos (à excessão do Banco Central e do Banco do Brasil) parecem gigantescas caixas de fósforos empilhadas.

Por outro lado, a gastronomia da cidade, assim como sua vida cultural, é muito rica e agradável. O custo da alimentação em Brasília, ao contrário do que me falaram, não é absurdamente cara: um pouco mais que em Belo Horizonte, mas muito menos que em São Paulo, por exemplo, os preços estão mais ou menos no nível de Porto Alegre. Existem muitos restaurantes caros, mas também existem restaurantes funcionais nos ministérios que são subsidiados (10 reais o quilo, no almoço), além de restaurantes com pratos executivos de cerca de 10 reais, e botecos mais simples que servem pratos enormes de arroz, feijão, bife e salada por 7 reais. Ao contrário de BH, pastelarias, confeitarias e lanchonetes especializadas em salgados e pão-de-queijo são raras em Brasília, e estão concentradas na rodoviária. O lanche típico da população são redes de fast-food como Giraffa's, Subway, Bob's e McDonald's, que abundam pelas quadras comerciais. Isso, sim, pode elevar os gastos pessoais com alimentação. A vida cultural conta com muitas exposições de artes plásticas e teatros junto às sedes dos bancos, além de casas de cinema alternativo, tudo a preços acessíveis (ou de graça).

O sistema de ônibus da cidade me pareceu eficiente, com muitas linhas e freqüência satisfatória. Além disso, há uma discriminação de preços nas tarifas: os ônibus que circulam no plano piloto cobram 2 reais, e os que vão até as cidades satélites cobram 3 reais a passagem. A discriminação certamente reflete os custos com combustível, mas é pior para a população mais pobre, que costuma morar mais longe dos seus postos de trabalho. O que me impressionou foi a má qualidade dos ônibus da cidade, muitos deles são tão antigos que parecem que vão estragar a cada vez que o motorista pára em uma parada. Isso é surpreendente para uma cidade da renda per capita de Brasília...

Estou trabalhando em um órgão de pesquisa em economia aplicada na Secretaria de Assuntos Estratégicos ligado à ONU (IPC-UNDP), que fica na Esplanada dos Ministérios. Nos finais de semana, quando não estou procurando apartemento com meu colega de mestrado (e de quitinete), tenho visitado os pontos turísticos da capital federal: visitei o Congresso, que é muito interessante (apesar de que o plenário da Câmara é muito menor pessoalmente do que parece na televisão) e com muito conteúdo didático sobre a história e as instituições políticas brasileiras, as sedes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, e a região dos lagos. Ainda há muito o que conhecer por aqui!

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Os Ditados Populares na Era Digital

Mais um e-mail engraçado que recebi de meus colegas. Como atualizar os ditos populares com a evolução da informática e das telecomunicações?

1. A pressa é inimiga da conexão.

2. Amigos, amigos, senhas à parte.

3. Antes só, do que em chats aborrecidos.

4. A arquivo dado não se olha o formato.

5. Diga-me que chat frequentas e te direi quem és.

6. Para bom provedor uma senha basta.

7. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.

9. Em terra off-line, quem tem um 486 é rei.

10. Hacker que ladra, não morde.

11. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

12. Mouse sujo se limpa em casa.

13. Melhor prevenir do que formatar.

14.O barato sai caro. E lento.

15.Quando a esmola é demais , o santo desconfia que tem vírus anexado.

16. Quando um não quer, dois não teclam.

17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.

18. Quem clica seus males multiplica.

19. Quem com vírus infecta, com v'rus será infectado.

20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.

21. Quem não tem banda larga, caça com modem.

22. Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.

23. Quem semeia e-mails, colhe spams.

24. Quem tem dedo vai a Roma.com

25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.

26. Vão-se os arquivos, ficam os backups.

27. Diga-me que computadortens e direi quem és.

28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder...

29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha?

30. Aluno de informática não cola, faz backup.

31. O problema de computador é o USB (Usuário Super Burro).

32. Na informática nada se perde nada se cria. Tudo se copia... E depois se cola.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Brasília News

Sábado de manhã, cheguei em Brasília. A viagem de avião foi tranqüila, apesar de eu ter que pagar mais de 100 reais de excesso de peso na bagagem despachada. E isso que eu ainda tenho quatro caixas cheias de papers e livros na minha ex-república belorizontina, que eu fiquei de pegar ainda nesse ano. De qualquer forma, minhas bagagens chegaram são, salvas e no horário na capital federal.

De cara, na saída do aeroporto, tomei o famoso golpe do "taxi pirata", que muita gente já tinha me alertado. Ao procurar um taxi, fui indicado para um carro (muito fino e bem cuidado, diga-se de passagem) sem nenhuma pintura que o caracterizasse como taxi. Após embarcar minha bagagem, já quase na metade do caminho, notei que o carro não tinha taxímetro, isto é, eu tinha pego um taxi não-oficial DENTRO do aeroporto de Brasília, e fiquei totalmente à mercê do preço de seu motorista. O cara me cobrou 70 reais (!), quase o preço de uma viagem de BH até o aeroporto de Confins. Pelo menos, me deixou na porta do flat em que eu tinha reserva (não me seqüestrou).

Estou hospedado num quitinete do flat Morato II, no início da Asa Norte. O prédio é muito simples, mas o quarto é muito bom, não tem nenhuma comparação com o hotel Normandy, que eu fiquei nos meus primeiros meses em Belo Horizonte. O quarto tem um dormitório com duas camas (estou dividindo com um colega de mestrado, que passou no concurso do IPEA), uma sala conjugada com um armário de cozinha que tem um frigobar e um fogão, além de um banheiro. Pretendemos ficar por aqui até encontrarmos um apartamento de preço factível para alugar.

No mesmo dia, visitamos o Brasília Shopping, que como a maior parte dos shoppings, é um não-lugar, ou seja, é igual em qualquer lugar. Lá, almoçamos comida mineira (concluímos que não há feijão tropeiro melhor do que o de BH), e pude comprar um mapa da cidade. Passamos o resto do dia olhando classificados e pesquisando pela internet sobre apartamentos para alugar. Ao entardecer, fomos assistir futebol em um boteco de nordestinos perto do nosso flat. Lá, a cerveja era barata, R$3,50 a garrafa, longe dos preços absurdos que muitos amigos meus me avisaram sobre a gastronomia brasiliense, antes de eu viajar.

No domingo, demos uma volta pela cidade. Brasília é uma cidade "estranha", planejada bem demais. Alguns serviços, como bancos e hotéis, formam clusters ocupando quadras inteiras. Nas asas, predominam serviços comerciais ao longo das principais avenidas, ao passo que dentro das super-quadras, abundam prédios residenciais de não mais do que cinco ou seis andares. Em termos de arranha-céus nos moldes belorizontinos ou paulistanos, só vi hotéis e prédios públicos. Cada asa parece, na verdade, uma cidade do interior, com muito espaço e áreas verdes entre as construções. Os prédios estão cercados por caminhos de terra batida, percorridos pelos pedestres, que podem fazer atalhos por dentro das imensas quadras.

Ainda não me adaptei à nomenclatura das ruas e quadras. Meu flat dica na quadra 502, em frente à avenida W3. Isso ainda me parece tão estranho... Mas já me avisaram que é fácil de se acostumar, depois de certo tempo.

Sábado, Outubro 24, 2009

Moving On... Adeus BH!

Hoje passei o dia encaixotando meus livros e arrumando minhas malas. Amanhã de manhã, embarco para Brasília, em busca de novas oportunidades.

Quando paro para pensar, me lembro que estou a quase três anos vivendo na capital mineira, e tudo parece que passou voando. Desde o fatídico dia em que deixei a casa dos meus pais em Porto Alegre para desembarcar no antigo Hotel Normandy, no centro, passando por todo o mestrado no Cedeplar-UFMG (e o clima de desespero no primeiro semestre), a mudança para a República Gaúcha na Cidade Nova, a mudança da sede da FACE-UFMG do Centro para o campus Pampulha, o momento em que conheci minha namorada Ana Carolina, as apresentações de trabalhos em congressos pelo país, a mudança para a República do Buraco, os shows do Iron Maiden e do Heaven and Hell, a defesa da dissertação, minha experiência como professor de macroeconomia, os meses em procura de emprego até hoje, parece que tudo ocorreu em um piscar de olhos. E tudo está registrado aqui no blog, nos posts a partir de 2007.

Por isso, hoje, meu último dia como residente oficial em Belo Horizonte, resolvi passar a tarde me despedindo solitariamente de tudo o que mais gostei da cidade. Saí de casa caminhando até a praça da Liberdade, que está quase toda em reformas de restauração dos prédios históricos. Desci pela avenida Cristóvão Colombo até a praça da Savassi, observando todos os bares e botecos que já freqüentei e, sobretudo, os que não tive oportunidade de freqüentar. Virei a esquerda na avenida Getúlio Vargas e segui até a Afonso Pena, e pude relembrar, no caminho, de todas as histórias que já presenciei na casa noturna A Obra e no bar da Dalva, este, sede da minha comemoração de aniversário no ano passado.


Pela Afonso Pena, segui sempre em frente e para cima, subindo as ladeiras próximas à avenida do Contorno e à praça da Bandeira. Tirei uma foto do prédio da Oi, cujo museu da história da telefonia, ainda que pequeno, foi uma das melhores atrações que assisti na cidade.


Daí segui para a Praça do Papa, que na minha opinião é o principal cartão postal da capital mineira. Como tivemos por aqui duas semanas de constantes chuvas, as montanhas da Serra do Curral, que limitam a cidade pelo sul, estavam totalmente verdes. De lá, assisti pela última vez (por algum tempo) o Belo Horizonte iluminado pelo Sol, enquanto tomava uma água de côco. De acordo com o Goodle Maps, foram 6,2 km de caminhada.




Ao pôr-do-sol, peguei um ônibus de volta para o Centro. Terminei de arrumar minhas coisas, e fui jantar sozinho do rodízio de massas do La Greppia, tradicional ponto de reflexões pós-modernas com o Diego (e outros convidados) no primeiro semestre desse ano. Após jantar, fiquei durante algum tempo sentado na mesa degustando uma excelente Serramalte e pensando na vida...

Devo retornar à Belo Horizonte em breve, e com uma certa freqüência, já que minha namorada continua na cidade por pelo menos mais um ano, já que cursa doutorado no Cedeplar-UFMG. Além disso, deixo na minha república quatro caixas de livros, artigos e CDs, para carregar depois. Mas, quando retornar, serei um mero visitante na cidade, não mais um morador com raízes firmadas.

Amanhã, meu novo lar será o flat Morato II, na Asa Norte de Brasília. Dividirei o apartamento com um ex-colega de mestrado que passou em concurso. Procuraremos um apartamento para montar uma nova república em breve.